Entrevistas

- Nico Müller
Mesmo em época natalícia, o 16Válvulas não pára, e desta feita o jovem repórter da equipa 16V, Diogo Oliveira entrevistou o jovem piloto suíço da GP3 Series, Nico Müller. Um grande obrigado pela entrevista, para o jovem e simpático piloto suíço Nico Muller, a quem a equipa 16 Válvulas deseja umas boas festas e um excelente ano de 2011!
Diogo Oliveira: Começaste a carreira no karting em 2004. Porque escolheste o karting, sendo de um país sem tradição nos desportos motorizados?
Nico Müller: Inicialmente, competi durante três anos nas corridas de mountain bike. Depois, quando fui ver uma corrida de karting do meu primo, apaixonei-me completamente pelo desporto. Poucas semanas depois, conduzi eu próprio um kart e nunca mais queria sair de lá.
DO: O teu maior feito no karting foi em 2007, quando venceu a Bridgestone Cup, com uma vantagem de apenas 1 ponto em relação ao segundo classificado. Conta-nos sobre isso.
NM: 2007 não foi um ano fácil para mim. Os novos motores KF não nos facilitaram as coisas e, como não competia em equipas de topo, não tinha acesso ao material de top. No final, ainda acabei por alcançar bons resultados como o 7ºlugar na Troféu Margutti e a vitória no Bridgestone Cup. Como referiste, foi uma luta muito renhida até à última corrida, mas finalmente tinha alcançado o meu objectivo.

- Müller no Fórmula Renault 2.0 da Jenzer
DO: Em 2008 foi quando foste para os monolugares. Como foi a adaptação do karting para este tipo de carros?
NM: Além de ter muitas dificuldades em arranjar um orçamento completo, também não tive muitos dias de testes no carro. Tive apenas 4 dias e meio num monolugar antes de completar a minha primeira corrida. Mesmo assim, aprendi rapidamente e adorei correr naquela máquina. Existem, como é óbvio, algumas diferenças em comparação com um karting (caixa de velocidades, forças G, velocidade…), mas com muita concentração e com um ‘feeling’ natural de velocidade, a adaptação não foi muito dura.
DO: Foste 5ºclassificado na LO Fórmula Renault 2.0 Suíça, no teu primeiro ano. Apesar de ter corrida pela melhor equipa do campeonato, a Jenzer Motorsport, consideras que tiveste uma excelente primeira temporada?
NM: O campeonato suíço de Fórmula Renault 2.0 foi muito bom nesse ano, e como mencionei, tive apenas alguns dias de testes no carro antes de o campeonato começar. Apesar disso, logo no meu terceiro fim-de-semana de corrida (em Spa-Francorchamps) venci a minha primeira prova. A partir daí, estive sempre no ritmo e terminei mais algumas vezes no pódio, mas apesar disso, ainda tive algum azar na mistura. O ponto alto desse ano foi o meu 4ºlugar na corrida da Fórmula Renault WEC [Western European Cup], onde estive com o mesmo ritmo de pilotos como o Ricciardo [Daniel] e o Merhi [Roberto]. Em resumo, acho que o meu primeiro ano foi mesmo muito bom.

- Müller foi 5º em 2008 na Fórmula Renault 2.0 Suíça
DO: Na Fórmula Renault 2.0 Suíça, correste contra dois pilotos portugueses: Filipe Gonçalves Coito e Federico Duarte, ambos desconhecidos em Portugal. O que nos podes contar sobre eles?
NM: Para ser honesto, não os conheço pessoalmente. A única coisa que me lembro deles é ter visto os seus nomes na lista dos resultados, mas é tudo…
DO: Em 2009, correste novamente na LO Fórmula Renault 2.0 Suisse, vencendo o campeonato com a Jenzer. Venceste 9 corridas e ainda alcançaste 12 pódios, isto em 12 corridas. Consideras ter sido um campeonato perfeito para ti?
NM: Foi um ano muito bom, até para a minha própria confiança. Aprendi a lidar com a pressão, apesar de não ter sido assim tão grande, mas pelo menos ainda lá esteve. Aprendi também a controlar corridas a partir da ponta. Os resultados foram simplesmente muito bons, tendo como pior resultado um segundo classificado num pelotão com uma média de 28 carros em pista. É claro que o nível de qualidade a partir do meio do pelotão não era muito grande, mas pelo menos os cinco primeiros classificados eram muito competitivos, por isso foi um campeonato nada mau.
DO: Novamente, correste contra um piloto português, Bernardo Arnaut. O que nos pode contar sobre ele?
NM: Ele correu pela CO2 Motorsport e acabava as corridas entre o 8º e 12ºlugar, penso eu… De resto, é tudo o que eu me lembro do Bernardo.

- Müller no pódio de Barcelona
DO: No Eurocup [Fórmula Renault], não tiveste o sucesso que alcançaste na Suíça. O que correu mal?
NM: Até nem foi um mau primeiro ano na Eurocup. Terminei em segundo lugar em Barcelona, na ronda de abertura do campeonato, e alcancei ainda alguns bons resultados (5º em Nurburgring, 7º em Hungararing…). O problema era que não consegui ser suficientemente constante, mas também sofri de alguns problemas mecânicos em duas corridas em que nada ajudaram. É óbvio que o campeonato podia ter corrido melhor, ainda para mais se tivesse o orçamento necessário para cumprir todos os dias de testes oficiais do campeonato… ainda assim, no final das contas aprendi muito nesse ano, tendo alcançando ainda algumas provas boas e satisfatórias.
DO: António Félix da Costa foi 3ºclassificado nesse campeonato, mas com muita controvérsia misturada, graças a uma vitória que lhe foi retirada. Com essa vitória, Félix da Costa teria sido campeão. O que pensas sobre esse caso? Consideras que o Albert Costa foi um justo campeão, ou o Félix da Costa teria sido ainda mais justo?
NM: Eu sinceramente não percebi o que foi considerado de irregular no carro do Félix da Costa quando perdeu a vitórias. Apesar disso, lembro-me que o Albert também perdeu uma vitória em Barcelona devido a uma razão técnica. Tenho de dizer que ambos fizeram um grande trabalho e ambos mereciam o título. No final, foi o Albert que teve mais pontos por isso…

- Müller no GP3 da Jenzer
DO: Em 2010, foste terceiro classificado no novo GP3 Series. Achas que podias ter feito melhor neste teu primeiro ano com a Jenzer?
NM: Primeiro, tenho de dizer que nunca pensei ter este resultado no meu primeiro ano no campeonato. Comecei a temporada com um 13ºlugar e com um 9ºlugar, e nesse fim-de-semana fiquei muito satisfeito com esses resultados. A partir daí, consegui aprender muito rapidamente, conseguindo lutar pelos lugares da frente em quase todas as corridas. Ter acabado o ano em 3ºlugar foi excelente. Talvez pudesse ter corrido melhor já que tive algum azar em Spa e em Monza, mas acabar o campeonato em segundo ou em primeiro lugar teria sido praticamente impossível.
DO: Já confirmaste que irás repetir a GP3 Series em 2o11. Será este o ano do título?
NM: Penso que é a escolha acertada para mim. Sou ainda muito jovem e penso não ter a experiência necessária para subir para as World Series by Renault ou para a GP2 Series. Claro que o meu objectivo será vencer o campeonato, e estou também muito confiante para o ano que vem. Não será fácil vencer pilotos com Valtteri Bottas ou James Calado na ART-Grand Prix, Nigel Meker na Mucke, e por aí em diante, mas é isto que torna este campeonato tão bom. O nível de competição é muito alto e se venceres estes pilotos, conseguirás ir muito longe! Estou ansioso por isso!

- Müller também brilha na GP3 Series
DO: Nico, ainda és muito jovem. Certamente que o teu sonho será correr na F1 com o Buemi. Tens o orçamento necessário para que consigas alcançar isso nos próximos 2,3 anos?
NM: F1 é o objectivo de qualquer jovem piloto do meu nível, e estou a trabalhar arduamente para conseguir alcanlçar esse objectivo. É muito dificil encontrar o dinheiro pedido para ir para a F1, mas se a minha performance for boa… tudo é possível!
DO: O que pensas dos pilotos portugueses? E dos traçados?
NM: Neste momento, há alguns pilotos portugueses que são muito bons, como o Félix da Costa [António], Álvaro Parente ou Filipe Albuquerque. São todos muito rápidos e muito conceituados no mundo motorizado. Quanto aos traçados, conheço Estoril e Portimão, ambos muito bons e técnicos.
Parabens
Antes de mais, parabens pelos conteúdos que estão neste blog, com os quais apenas agora tive contacto. Lamento apenas, que nesta entrevista tenha existido aquela característica tão portuguesa de utilizar o título académico das pessoas, em contextos que não vêem mesmo ao acaso (se é que alguma vez vêem). Senão, quando se entrevistar, por ex. o Pedro Couceiro, também se deveria dirigir a ele como, Eng. Pedro Couceiro,
.Devemos todos ver os exemplos de paises civilizados, onde estas referências não existem.
Tirando esta pequena nuance, mais uma vez parabéns e que continuem o bom trabalho.