@Moto3 : #brnogp by Aires Pereira in portuguese

Pódio com Antonelli
Pódio com Antonelli

 

Dois grandes acidentes a condicionar a corrida que foi interrompida e que reatou com menos 7 voltas. Nicolló Antonelli obteve a sua primeira vitória em Moto3 enquanto Miguel perdia pontos para os seus principais rivais, Fenati e Bastianini. Danny Kent não se envolveu na escaramuça pelo primeiro lugar e mantém a liderança do campeonato com uma boa diferença para Bastianini na segunda posição.

Os treinos em Brno não tiveram um protagonista. Foram vários os pilotos que se iam impondo nas várias sessões de treino com especial relevo para as máquinas e pilotos da Leopard Racing Vazquez e Kent. Antonelli também deu boa conta de si e logrou mesmo fazer o melhor tempo da sessão de qualificação, ficando com a pole position. O líder do campeonato ficaria a meio da primeira linha e Navarro fechava os três melhores tempos. Miguel iria quedar-se por um singelo 12º lugar.
A corrida teve duas partidas. Na primeira partida Vazquez e Miguel saltaram dos seus lugares para 3º e 4º lugar respectivamente prevendo-se uma excelente corrida para ambos os pilotos. Mas um acidente na primeira curva e outro, mais grave na terceira curva levaram à interrupção da prova e encurtamento da mesma de 17 para 12 voltas. Substancial! Na segunda partida Vazquez voltou a conseguir impor-se ao restante pelotão mas Miguel já não conseguiu instalar-se na frente como da primeira partida. Contudo o grupo de 11 pilotos, como já vem a ser normal em Moto3 teve muitas mudanças de comando e quase todos os pilotos lograram comandar a corrida por algumas voltas e entre eles Miguel Oliveira. Quem parecia imparável era Brad Binder, companheiro de equipa de Miguel que juntamente com Antonelli disputava assiduamente a liderança da prova. Fenati que também estava inserido neste grupo acabou por ser a novidade desta prova, também ele reclamando para si parte da liderança da prova. Com o fim da corrida à vista foi Antonelli que acabou por conseguir liderar o grupo à passagem pela bandeira de xadrez. Bastianini seguia logo atrás e Binder agarrava o seu primeiro pódio. Depois de muita luta Miguel acabou relegado para a 8ª posição, acabando por perder pontos para todos os seus rivais directos.

1º Danny Kent – Honda (199 pts), 2º Enea Bastianini – Honda (154 pts), 3º Romano Fenati – KTM (122 pts), 4º Miguel Oliveira – KTM (111 pts)

@Moto2 : #brnogp by Aires Pereira in portuguese

“Mortal” de Zarco
“Mortal” de Zarco

Zarco imperial! O piloto francês lidera o campeonato e venceu a corrida sem apelo nem agravo. Não foi fácil nem difícil, foi… à Zarco! A partir do momento em que Zarco se coloca na frente a corrida está decidida. Rabat e Rins ficaram com os dois lugares seguintes numa corrida em que a pouca luta aconteceu nos primeiros momentos da prova.

Mais uma vez os melhores tempos foram repartidos por diversos pilotos não havendo predominância de nenhum em particular. A única coisa que terá destoado do normal foi Luthi que andou sempre lá em cima com muita vontade de fazer um excelente fim-de-semana. Mas foi Zarco que mais uma vez obteve a pole position impondo a sua Kalex. Com registo mais negativo sobressai Sam Lowes com qualificado num modesto 13º lugar.
A corrida sem história teve o seu auge logo no início da prova com Rabat e Luthi a saírem à frente tendo o suíço conseguido mesmo dominar as primeiras curvas. Mas rapidamente Rabat tomou a dianteira da corrida com Zarco logo atrás. Zarco acaba por tomar conta da corrida com uma manobra de mestre passando ambos, Luthi e Rabat na mesma curva. Momento alto da corrida a partir do qual foi perdendo interesse à medida que as voltas se sucediam. Com pequenas lutas por posições atrasadas dá-se destaque à recuperação de Lowes até à 5ª posição e, ao contrário o afundar na classificação de Luthi que acabaria no 7º posto. Alguns ameaços de Rabat a Zarco que dominou sempre a corrida sem grande esforço., não resultaram em nada tendo o francês visto a bandeira de xadrez sem surpresas. Rins ainda se colou a Rabat na última volta, mas a diferença era grande e acabou por não conseguir esboçar sequer a ultrapassagem, ficando com o lugar do pódio mais baixo.

1º Johan Zarco – Kalex (224 pts), 2º Tito Rabat – Kalex (145 pts), 3º Alex Rins – Kalex (144 pts)

@MotoGP : #brnogp by Aires Pereira in portuguese

Pódio Lorenzo, Marquez e Rossi
Pódio Lorenzo, Marquez e Rossi

Lorenzo 211 pontos, Rossi 211 pontos. É este o figurino depois de uma corrida sem grande história em que Lorenzo venceu depois de mais uma corrida perfeita como é apanágio deste piloto. Rossi perdeu a liderança do campeonato por sua culpa, por não ter sido tão competitivo como Lorenzo e Marques, segundo as suas próprias palavras.

Jorge Lorenzo está em alta de forma e persegue o campeonato que Rossi tem liderado desde a primeira corrida. Rossi é o único piloto que esteve em todos os pódios este ano mas nem por isso os treinos lhe correram de feição. Existe sempre uma dificuldade para Rossi nos treinos que o relega para a 2ª ou 3ª linha da grelha mas desta feita Rossi conseguiu partir da primeira fila com o terceiro tempo da grelha. Lorenzo, imparável fazia a pole position e batia o recorde de Brno em duas rodas, enquanto Marquez se situava bem no meio das duas Yamaha.
A partida não correu de feição a Rossi que, não obstante ter partido da primeira fila viu-se passado por Bradley Smith e Dovizioso, enquanto Lorenzo e Marquez disparavam para a frente. E as primeiras 3 voltas foram cruciais para o desenrolar da corrida. Rossi ficou atrás de Smith e Dovi zioso e quando conseguiu passar Lorenzo e Marquez já estavam a mais de 2 segundos. A partir daí foi sempre a perder tempo para os lideres. O factor psicológico da partida falhada contou muito provavelmente. Ficavamos com a disputa do primeiro posto na frente entre os dois compatriotas, Lorenzo e Marquez. E quando se esperava que Marquez disferisse o golpe e assumisse a liderança, é Lorenzo que inicia uma série de voltas ao mais alto nível afastando-se lenta mas seguramente de Marquez que passou a receber indicações da boxe sobre Rossi que também não era ameaça. A partir daqui a corrida estava decidida e só um erro poderia alterar o desfecho. Mas não houve qualquer erro destes pilotos e o pódio ficou preenchido com Lorenzo, Marquez e Rossi, exactamente como tinham partido! Isto significa que o campeonato tem novo líder, se bem que em igualdade de pontos com Rossi. Lorenzo lidera pela primeira vez o campeonato e numa forma impressionante. Rossi já admitiu a sua falta de competitividade e se quer ter esperanças de ganhar o campeonato tem que fazer muito mais do que fez hoje!

1º Jorge Lorenzo – Yamaha (211 pts), 2º Valentino Rossi – Yamaha (211 pts); 3º Marc Marquez – Honda (159 pts)

#MotoGp : #GermanGp by Aires Pereira

Marc Marquez
Marc Marquez

O menino prodígio está de volta. Marquez parece retornado da série negra que se lhe atravessou no caminho e o circuito germânico serviu às mil maravilhas para repor os níveis de confiança. Marquez ganhou tudo o que havia para ganhar. Melhor tempo em todos os treinos livres, pole position na qualificação, melhor volta e, obviamente a vitória. Mas o líder do campeonato é Rossi…cada vez mais Rossi!

Necessitando de dar a volta por cima, Marquez fez o que quis de Sachsenring. Foi chegar, ver e vencer. Noutros tempos esta afirmação era redundante, mas o facto determinante é que Marquez estava a 70 pontos de Rossi antes do início da ronda germânica. Para além de Marquez mais ninguém se demarcou dos restantes pilotos tendo os melhores tempos sido distribuídos por vários pilotos, com predominância das equipas de topo. Para além da pole position de Marquez tivemos Pedrosa no meio e Jorge Lorenzo a fechar a primeira fila.
A partida foi sensacional e dava o mote para uma corrida que se pensaria diferente. Jorge Lorenzo, que tem uma enorme a capacidade de fazer excelentes partidas não decepcionou e ultrapassaria ambas as Honda por fora logo na primeira curva assumindo o comando da corrida. Marquez e Pedrosa seguiam logo atrás e Iannone e Rossi atrás destes. Mas quando se pensava que Lorenzo iria ter uma daquelas corridas em que as diferenças nas voltas são centésimos de segundo, eis que Marquez e Pedrosa se colam ao compatriota para evitarem a fuga. Logo atrás Rossi passa Ianonne para se dedicar a apanhar Lorenzo, que era onde estava a verdadeira ameaça. Mas não foi preciso porque Marquez encarregou-se de assumir a liderança deixando Lorenzo a contas com Rossi, já depois deste ter “despachado” Pedrosa. E não demorou muito até que Lorenzo fosse passado. E tão passado foi que até Pedrosa o passou! E depois veio o que não se esperava…Pedrosa atacou Rossi. O italiano pareceu pouco à vontade com o ataque do piloto da Honda e acabou por sucumbir rodando várias voltas atrás de Pedrosa. Mas no momento em que provavelmente sentenciou que iria atacar Pedrosa cola o acelerador e desaparece. Rossi pensou nos pontos que, mesmo assim estava a ganhar para o campeonato (estava à frente de Lorenzo) e não cometeu nenhuma loucura para ir buscar Pedrosa, contentando-se com o terceiro posto.

1º Valentino Rossi – Yamaha (179 pts), 2º Jorge Lorenzo – Yamaha (166 pts), 3º Andrea Iannone – Ducati (118 pts)

#Moto2 : #GermanGp by Aires Pereira

Xavier Simeon
Xavier Simeon

A última vitória de um piloto belga monta a 1983 e o herói foi Didier de Radigues numa Chevalier de 250cc a dois tempos…outros tempos. 32 Anos depois outro belga, Xavier Simeon viu a bandeira de xadrez na categoria intermédia do mundial de velocidade. Parabéns pela vontade férrea e pela oposição ao líder do campeonato Zarco, quando todos julgávamos que “eram favas contadas”.

Como é normal nesta categoria não houve domínio de ninguém em termos dos melhores tempos em treinos livres e de qualificação. Houve um naipe alargado de pilotos que iam obtendo os melhores tempos, tendo Zarco (principal candidato ao título) conseguido a pole position. Ao seu lado um belga, Xavier Simeon e outro desconhecido italiano Franco Morbidelli. Parecia que o traçado germânico nos queria pregar algumas partidas.
E assim foi de facto. Morbidelli com uma partida fabulosa conseguiu superar todos os seus companheiros tendo feito a primeira curva na liderança. Logo atrás seguiam Simeon e Zarco. Mais atrás Corsi e Rabat suplantavam Luthi para se imiscuírem na luta pela vitória. Mas Morbidelli não aguentou muito tempo e Simeon acabou por tomar a liderança. Mas Corsi também queria um quinhão e no fim da recta da meta mete por dentro e trava já para além dos limites o que acabou por fazer o piloto alargar e muito a trajectória impedindo que tanto Simeon e Morbidelli passassem (estavam do lado de fora) e deixando uma porta “escancarada” para Zarco assumir a liderança. Pensou-se que a partir daqui o vencedor da corrida teria sido encontrado, mas de facto não foi assim. Simeon e Morbidelli desembaraçaram-se de Corsi e foram atrás de Zarco. Acabou por ser Simeon que estava em dia absolutamente inspirado que arrastou Morbidelli para uma batalha a três. Zarco não teve argumentos para Simeon e Morbidelli não conseguiu manter o ritmo ficando para trás com a terceira posição ameaçada por Rabat e Rins que entretanto já tinham deixado Corsi para trás. Zarco tentou tudo, mas com o pensamento nos pontos para o campeonato não entrou em loucuras e assumiu o segundo lugar deixando Simeon saborear a sua primeira vitória. O drama viria lá para trás com Rins e Rabat já à frente de Morbidelli e quando se preparavam para fazer a última curva. Morbidelli não terá ficado contente com a perda de um lugar no pódio e atacou a última curva como se não houvesse amanhã, causando a queda da sua moto e levando Rabat consigo. O espanhol nem queria acreditar quando foi ceifado pela moto do italiano! Com isto Rins passou instantaneamente de quinto para terceiro e obteve o lugar mais baixo do pódio.

1º Johan Zarco – Kalex (159 pts), 2º Tito Rabat – Kalex (114 pts), 3º Sam Lowes – Speed Up (96 pts)

#Moto3 : #GermanGP by Aires Pereira

Danny Kent
Danny Kent

Danny Kent esteve absolutamente imparável durante todo o fim-de-semana. Ninguém conseguiu acompanhar o ritmo do líder do mundial nem nos treinos nem na corrida. Arrecadou tudo. No extremo oposto ficou Miguel que lhe bastaram 4 voltas no primeiro treino para cair a baixa velocidade e partir o quarto metacarpo com direito a bilhete para operação de urgência em Lisboa.

Fantástica performance do inglês candidato ao título de campeão do mundo em Moto3. Kent arrecadou todos os melhores tempos em todas as sessões de treinos sem dar qualquer hipótese à concorrência. Por perto andaram vários pilotos com destaque para Bastianini ou Quartararo, ambos no topo da classificação, mas sem nunca incomodarem Kent. Miguel que só fez 4 voltas em Sachsenring. Teve uma queda a baixa velocidade de onde resultou a fractura do quarto metacarpo da mão esquerda. Foi operado no Sábado com sucesso e lá ficou um pouco mais pesado com uma placa novinha em folha para rápida recuperação do osso.
A corrida teve pouca história. Apesar da pole position Kent não foi bem sucedido na partida tendo sido passado por Hanika que iria liderar as primeiras centenas de metros da corrida. Mas Kent, ciente da sua capacidade já demonstrada acaba por assumir a liderança ainda antes do fim da primeira volta para a voltar a perder logo de seguida para Bastianini, Brad Binder e Antonelli. Todos tentavam que Kent não ficasse na liderança mais do que 2 ou 3 voltas para impedir que o britânico fugisse. Mas foi isso mesmo que acabou por acontecer e mesmo antes de metade da corrida. O único a conseguir acompanhar foi mesmo companheiro de equipa, Vazquez nunca colocando sequer a hipótese de assumir a liderança. Uma vez que Miguel não estava presente daria jeito que Bastianini perdesse o maior número de pontos possível, mas infelizmente Bastianini acabaria por chegar à frente do pelotão de 5 motos onde tínhamos Fenati, Antonelli, Navarro e Binder. Kent viria assim a ganhar a prova com mais de 7 segundos de avanço sobre Vazquez e 9 de Bastianini que iria subir ao degrau mais baixo do pódio.

1º Danny Kent – Honda (190 pts), 2º Enea Bastianini – Honda (124 pts), 3º Miguel Oliveira – KTM (102 pts)

#MotoGp , #AssenGp by Aires Pereira

O “momento” em MotoGP com Rossi e Marquez
O “momento” em MotoGP com Rossi e Marquez

Assen é uma pista espectacular e muito ao jeito de Rossi. E Rossi precisava de sacudir a pressão de Lorenzo que estava a somente 1 ponto. Mas o que não se esperava era um Marquez ressurgido do nada que iria tornar esta prova num evento épico onde mais uma vez Rossi teve que fazer da sua M1 uma moto de motocross para poder levar de vencida este ressurgido espanhol, para muitos apontado como o sucessor de Rossi. Até acredito que seja, mas não é para já…

 

Rossi declarou Assen como propriedade sua e mostrou nos treinos livres que o gosto pela pista estava a dar os seus frutos. Isso e o novo chassis da Yamaha que parece mais ao gosto do campeão italiano convertendo a sua moto numa máquina extremamente obediente, aproveitando ao máximo as suas capacidade ciclísticas. Mas a Honda parece ter finalmente virado a cara para MotoGP e as máquinas de Marquez e Pedrosa estão mais estáveis e o campeão em titulo Marquez chegou a Assen em plena forma confrontando Rossi e destronando-o neste ou naquele pormenor. Mas estava escrito que Rossi dominaria na Holanda e a pole position (a primeira de 2015) acabou por sorrir ao italiano que viu uma Suzuki ao lado dele na primeira fila, concretamente Aleix Espargaro. Marquez agarrava o último lugar da primeira fila e Assen prometia uma corrida pelo título.

E assim foi, sob um céu coberto de nuvens negas, mas sem que a chuva fizesse a sua aparição Rossi disparou da pole position para a liderança da corrida com Aleix Espargaro e Marquez atrás dele. Inicialmente, Lorenzo que partiu do 8º posto na grelha foi o homem que deu nas vistas com várias ultrapassagens logo na primeira volta acabando por se colar a Marquez que entretanto já estava colado a Rossi. Com o passar das voltas Lorenzo ia ficando para trás até não representar uma ameaça para Marquez que se manteve pacientemente atrás de Rossi até à 20ª volta, altura em que o espanhol resolveu tomar a liderança e ao contrário do normal Rossi não conseguiu retribuir o gesto de imediato. Mas ½ dúzia de voltas volvidas e Rossi retomava a dianteira. As últimas voltas foram épicas e ficarão para mais tarde recordar com Rossi e Marquez a esgrimir os seus argumentos numa batalha sem quartel. Até que se chegou à entrada da última volta onde Rossi, depois de um esforço digno de nota conseguia ganhar ½ segundo a Marquez. Mas não foi suficiente e Marquez conseguiu mesmo colar-se de novo ao italiano para tentar usar o último argumento no final. Assim na gincana antes da meta Marquez atrasou a travagem para entrar ao lado de Rossi na curva e estando por dentro conseguir sair mais rápido. Mas o que não contava é que Rossi tivesse uma moto de motocross e quando sentiu o encosto de Marquez, imediatamente endireitou a moto e seguiu em frente na gincana, através da relva e da gravilha para sair à frente e ganhar a corrida. Lembrou um pouco aqueles “penalties” forçados, fazendo uma analogia com o futebol. Mas é certo que nem sequer houve investigação ou algo do género, apenas a indignação contida de Marquez na conferência de imprensa onde afirmou: “já sei o que fazer na próxima…”. Fica o aviso mas os 25 pontos estão do lado de Rossi! Lorenzo ficaria com o terceiro posto fazendo metade da corrida isolado.

 

1º Valentino Rossi – Yamaha (163 pts), 2º Jorge Lorenzo – Yamaha (153 pts), 3º Andrea Iannone – Ducati (107 pts)

#Motogp : #ItaliaGp : by Aires Pereira

 

Jorge Lorenzo
Jorge Lorenzo

Marc Marquez atravessa definitivamente uma série negra que agrega problemas mecânicos e humanos. Em contraponto Lorenzo é reconhecido pelos seus pares como estando actualmente numa forma soberba. No meio temos Rossi que é o único piloto que até à data esteve presente em todos os pódios de MotoGP desta época. E já se fala na impossibilidade de Marquez rebater os 49 pontos que o separam de Rossi. Com isto tudo Mugello viu Lorenzo ganhar a terceira corrida seguida e a ficar a 6 pontos de Rossi. Mas quem é que esperava este campeonato?

 

Marquez veio para Mugello com a pressão de ter que se aproximar dos homens da frente depois dos recentes desaires sofridos. Mas nem sempre o campeão pode concretizar os seus objectivos e Mugello, ao invés de servir para o aproximar, serviu para o afastar. E esta dificuldade começou a esboçar-se logo nos primeiros treinos com a Honda a não conseguir colocar os seus pilotos no topo dos melhores tempos. De facto era Lorenzo e ambas as Ducati que davam cartas na pista italiana. Com muita pena dos Tifosi nem mesmo Rossi conseguia acompanhar Lorenzo ou as Ducati. Esta dificuldade acabou por se acentuar nos treinos cronometrados onde Marquez nem sequer conseguiu ir para o Q2, tendo-se ficado pelo Q1, algo que nem o mais pessimista visionário poderia prever…mas aconteceu. Pedrosa e Rossi não ficariam muito melhor, ambos na terceira fila da grelha. À frente ficava quem melhor “tocava”, que em Mugello significava Lorenzo no meio das Ducati com Iannone a conseguir a pole não obstante a sua lesão no ombro não estar ainda completamente debelada.

Foi com este figurino que a corrida iniciaria no domingo. As Ducati fariam valer os seus cavalos para curvar ambas à frente de Lorenzo na primeira curva, situação que foi reposta logo nas curvas seguintes com Lorenzo a passar Iannone e Dovizioso e assumir a liderança do pelotão. Para trás Marquez fazia uma largada…à Marquez. Da partida até à primeira curva da prova Marquez passou 7 pilotos e estamos a falar de menos de 500 mts. Na segunda volta já estava atrás de Lorenzo. É realmente um piloto do outro mundo e esperava-se que Lorenzo não durasse muito à frente do pelotão. Quanto a Rossi, depois de um péssimo arranque militava pela 9ª posição. Mas assim que Marquez chegou à traseira de Lorenzo o figurino mudou. Lorenzo começa a ganhar metros e metros para o espanhol e este a perder o avanço que detinha sobre Iannone. Rossi livrava-se finalmente do 9º posto e encetava a recuperação e Dovizioso abandonava com problemas mecânicos na sua Ducati. A aconteceu então o que ninguém esperava…Marquez perde a frente e sai para a gravilha sendo forçado a abandonar. Drama para a Honda que via Pedrosa um pouco depois perder o terceiro posto para Rossi que assim voltava a ficar entre os homens que subiriam ao pódio. Lorenzo dominou completamente a corrida, numa forma absolutamente espectacular e sem fazer um único erro. Iannone asseguraria um bravo segundo posto e Rossi ficava-se pelo último lugar do pódio e segurava a liderança do campeonato por mais uma jornada. Com 6 provas decorridas e 12 por decorrer temos um terço do campeonato passado e as Honda estão em 5º e 13º lugares da tabela. Vá-se lá perceber isto…

 

1º Valentino Rossi – Yamaha (118 pts), 2º Jorge Lorenzo – Yamaha (112 pts), 3º Andrea Dovizioso – Ducati (83 pts)

#Moto3 : #LeMansGp : by Aires Pereira

Fenati, Bastianini
Fenati, Bastianini

Foi preciso chegar á quinta ronda para vermos um motor KTM a ganhar e infelizmente não foi Miguel Oliveira. Foi Romano Fenati da VR46 que finalmente conseguiu afinar a sua máquina. Com o tempo a deixar a sua marca na corrida, Danny Kent conseguiu ascender de 31º a 4º. Esforço notável do líder do campeonato a mostrar que não lidera a tabela de pilotos por acaso.

Com três vitórias consecutivas e igualando um record antigo com mais de 30 anos, Danny Kent era o principal favorito à vitória na mítica pista francesa. E de facto nas primeiras sessões de treinos o inglês dominou por completo demonstrando a sua capacidade e momento de forma actual. Em bom plano estiveram também Fenati, Miguel Oliveira e Quartararo (a jogar em casa) que acompanharam Kent no topo dos melhores tempos. Mas o tempo iria fazer a sua aparição e logo na qualificação. As motos saíram para a pista já com uns pingos a cair mas nada de muito aflitivo e que permitiria rodar com slicks. Muitos pilotos ficaram nas suas boxes á espera que estas gotitas passassem, mas o imprevisto aconteceu e após 10 minutos começou a cair um diluvio que impediu por completo que a sessão de qualificação registasse qualquer evolução nos tempos em termos de grelha de partida. Com isto a Honda Estrella Galicia consegue a pole position através de Quartararo e Navarro com Bagnaia da Mahindra a fechar a primeira fila. Miguel Oliveira ficava pelo 8º posto, enquanto que a armada Honda Leopard nem sequer se qualificava o que significava na prática que Kent sairia do 31º posto e Vazquez do 29º. Estavam lançados os dados para uma corrida diferente. A grande dúvida residia no tempo.
Mas no Domingo, não obstante estar um pouco frio, apresentava-se tempo limpo e solarengo. Com o apagar das luzes vermelhas Antonelli salta do 7º posto na grelha para a liderança da corrida na segunda curva (que é a mais complicada da corrida). Atrás deste seguem Bagnaia, Quartararo, Fenati, Kornfeil, Miguel Oliveira e Viñales. No fim da primeira volta Kent tinha já ultrapassado 17 concorrentes subindo à 14ª posição. Bastianini chega-se entretanto à frente e um a um ultrapassa todos os adversários encetando uma luta fantástica com Fenati. Mas o pelotão com aspirações à vitória é de 8 pilotos e Kent acaba por conseguir juntar-se à luta a 11 voltas do final. A 6 voltas do final Quartararo cai mesmo à frente de Miguel Oliveira o que acaba por atrasar o piloto português irremediavelmente passando para o fim do pelotão. Ao contrário Kent aproveita a oportunidade para subir ao 4º posto e na frente Fenati tem como companheiros de luta Bagnaia e Bastianini. As últimas voltas foram bastante intensas com Fenati a conseguir resistir a todos os assaltos e a cortar a linha de meta em primeiro. Bastianini ficou pelo 2º posto e Bagnaia resiste a Kent e obtém o último lugar do pódio. Grande prova de Kent que subiu de 31º para o 4º posto e azar para Miguel com a queda de Quartararo a condicionar definitivamente o resultado final no 8º posto e a descer um lugar na tabela do campeonato do mundo.

1º Danny Kent – Honda (104 pts), 2º Enea Bastianini – Honda (67 pts), 3º Efren Vazquez – Honda (60 pts)… 8º Miguel Oliveira – KTM (41 pts)

#Moto2 : #LeMansGp : by Aires Pereira

Thomas Luthi
Thomas Luthi

Thomas Luthi acaba por ser um justo vencedor da jornada francesa com uma prova muito bem disputada que acaba por marcar o ressurgimento do suíço nos lugares cimeiros de Moto2. Zarco solidifica a sua liderança na tabela de pilotos e Rabat começa a mostrar as garras!

Zarco chegava ao “seu” grande prémio na liderança da tabela classificativa e com todas as hipóteses de cimentar essa posição. Rabat e Luthi acabaram por ser os seus companheiros no topo da tabela de tempos dos treinos livres e de qualificação, tendo estes três pilotos monopolizado as três sessões livres. Mas na qualificação Rins acabou por se mostrar mais forte arrecadando a pole position e levando Lowes “a reboque” para o 2º posto. Zarco acabaria por fechar a primeira linha de grelha.
No arranque Zarco iria demonstrar que não tinha ficado satisfeito com o terceiro tempo disparando para a liderança da prova logo na segunda curva remetendo Lowes ao segundo posto depois deste ter efectuado um soberbo arranque. Rins na pole position acabaria por fazer um péssimo arranque sendo de imediato engolido pelo pelotão. Rapidamente as posições se definiram na frente. Luthi, absolutamente imparável e muitíssimo inspirado assume a liderança relegando Zarco para segundo plano e desaparece na frente para só voltar a abrandar depois de receber a bandeira de xadrez. Rabat que ainda viria a conseguir passar Zarco ficaria com o segundo lugar do pódio, acabando o francês por subir ao degrau mais baixo. Um pouco mais atrás desenvolvia-se uma luta que nos maravilhou entre Morbidelli, Rins e Salom. Com Lowes num solitário 4º lugar Rins não pretendia abdicar do suado 4º posto, acabando por perder com uma queda na curva 2 para Morbidelli. Mas o italiano não se ficou por aí e acabou por mandar Salom (companheiro de equipa de Rins) também para fora de pista quando este o atacava pelo 4 posto. Espectacular de ver a luta, pena foi o desfecho. Com a manutenção do líder do campeonato, as mexidas ocorreram nas restantes posições, fruto da regressada competitividade desta categoria a qual se saúda.

1º Johan Zarco – Kalex (89 pts), 2º Thomas Luthi – Kalex (68 pts), 3º Jonas Folger – Kalex (57 pts)