Moto3 , Barcelona 2013 , Crónica by Aires Pereira

Salom, Marquez, Rins, Viñales e Vasquez mais atrás
Salom, Marquez, Rins, Viñales e Vasquez mais atrás

Luis Salom foi um verdadeiro mestre na corrida de Moto3 que decorreu no belo circuito da Catalunha. Controlando toda a corrida na última posição do grupo que liderava, Salom soube perfeitamente qual a altura para atacar e vencer sem apelo nem agravo. Parabéns!

Uma curiosidade e uma constatação: A curiosidade é que o piloto belga Livio Loi com os seus 16 estaria a nascer quando Rossi ganhou pela primeira vez neste circuito. A segunda tem a ver com uma asneira de Folger que se lesionou num pulso numa prova de motocross após a corrida de Mugello e que o impediu de estar presente esta semana. Erro crasso para quem tem tão altas aspirações.

“A diferença está na fruta” como é hábito dizer-se. Pois aqui é a mesma coisa. Salom, Viñales e Rins sobressaem sempre seja treinos ou corrida, depois lá aparecem os outros com Folger a ser o “primeiro” dos últimos… E este fim-de-semana não foi diferente. Salom, Viñales e Rins iam alternando nos melhores tempos nos treinos com intromissão aqui e ali de Isac Viñales (primo), de ambos os pilotos da Mahindra (Miguel e Vazquez), Jack Miller e, obviamente Alex Marquez, companheiro de equipa de Rins que está a “amadurecer”, mas que aparece muitas vezes no topo. Salom acabaria por fazer a pole position, Rins ficaria com o segundo tempo e Miguel Oliveira fazia um espectacular terceiro tempo, conseguindo começar a corrida da primeira fila.

No domingo não seria muito diferente. Rins salta do segundo lugar na grelha para comandar o pelotão na primeira curva com Salom, Marquez e Viñales logo atrás. Miguel atrasa-se e desce para a 6ª posição com o companheiro de equipa, Vazquez a ascender ao 5º posto. O grupo iria permanecer por algum tempo com estes pilotos a quem se juntou Miller formando assim um conjunto de 7 motos a lutar pela primeira posição. Salom resguardava-se propositadamente no fim deste pelotão aguardando a altura de atacar. Na frente Viñales, Rins, Vazquez e Marquez trocavam posições. Miguel não conseguia descolar da 6ª posição e chegou mesmo a andar muito tempo em 7º. Mas a 8 voltas do fim Salom achou que deveria seguir para a frente. Viñales impunha um ritmo lento, mas assim que Salom tomou a liderança o pelotão de 7 motos ficou todo partido, restando somente os três habituais (Salom, Rins e Viñales) para disputar a vitória. Vazquez, apesar da excelente corrida não aguentou o ritmo e Miguel já tinha ficado para trás juntamente com Miller. Mas na última volta Salom ainda conseguiu aumentar mais o ritmo acabando com as aspirações de Viñales a ganhar a corrida, levando somente Rins com ele, que mesmo assim nunca teve oportunidade para o passar. Excelente corrida de Salom, que planeou tudo ao milímetro e foi bem sucedido. Miguel conseguiu subir mais uma posição no campeonato do mundo, sendo agora 6º, posição que também obteve nesta prova.

1º Luis Salom (127 pts), 2º Maverick Viñales (122 pts), 3º Alex Rins (101 pts)…6º Miguel Oliveira (43 pts).

Moto2 , Barcelona 2013 , Crónica by Aires Pereira

Espargaro e Rabat
Espargaro e Rabat

Mais uma grande corrida na Catalunha na categoria de Moto2. Foi o fim de semana de Pol Espargaro que estava a necessitar de uma prova destas para recuperar a moral dos desaires anteriores. Em contraponto foi uma prova de contenção para Redding que com 43 pontos de avanço está a começar a fazer a gestão da vantagem. Parece-me um pouco cedo para isso…

Pol Espargaro precisava de ganhar como pão para a boca. Redding levava 43 pontos de avanço e Espargaro via-se no meio de 5 candidatos ao segundo lugar. E realmente Espargaro dominou os treinos livres e cronometrados com uma ligeira intrusão de Thomas Luthi na FP3.

Com a pole position Espargaro saltou para o comando da corrida logo na primeira curva. Rabat e Redding colocaram-se logo atrás. Mas Luthi, fazendo jus às excelentes prestações nos treinos ultrapassa Redding subindo à terceira posição e formando um grupo de 4 pilotos candidatos à vitória. Durante umas quantas voltas Espargaro dominou os acontecimentos e o grupo foi desaparecendo com Redding em contenção e contente com a 4ª posição e Luthi sem argumentos para lutar com o duo da frente a quedar-se pelo terceiro posto. Ficavam então na frente Espargaro e Rabat, companheiros de equipa que levaram  aluta até à bandeira de xadrez. Pelo meio Espargaro ainda deu passagem a Rabat para ver se o companheiro e compatriota estaria em condições de liderar a prova. Mas passadas 4 voltas Espargaro toma novamente o comando da prova para não mais o largar. A última volta foi bastante renhida com Rabat  a fazer das “tripas coração” para conseguir superar Espargaro mas sem sucesso. Espargaro estava muito forte e fez uma última volta completamente concentrado e sem dar o mínimo de espaço a Rabat. Luthi acabava em 3º, extremamente feliz pela melhor posição desta época. Em resumo a vitória de Espargaro relança o campeonato que em toda a sua existência nunca teve um líder que à 6ª prova detinha 43 pontos de avanço. Esperemos, para bem do campeonato que a diferença continue a diminuir, até porque Espargaro parecia muito forte e com vontade de esquecer os grandes prémios anteriores.

1º Scott Redding (114 pts), 2º Pol Espargaro (79 pts), 3º Esteve Rabat (75 pts)

MotoGp , Barcelona 2013 , Crónica by Aires Pereira

Lorenzo, Pedrosa, Marquez e Crutchlow
Lorenzo, Pedrosa, Marquez e Crutchlow

No fim da prova de Le Mans Pedrosa detinha 17 pontos de diferença para Lorenzo. Hoje, no fim da prova da Catalunha a diferença está em 7 pontos. Duas vitórias incontestáveis de Lorenzo diminuíram a diferença em 10 pontos. A “máquina” Lorenzo está afinada e vai recuperando, prova após prova o que lhe pertence por direito – posição para reclamar a renovação do título de campeão do mundo de MotoGP.

Não foi um domínio absoluto de Lorenzo como já se verificou em provas anteriores. Foi suado, bastante suado, mas muito bem conseguido, com uma perícia e uma regularidade fantásticas e só ao alcance do “relógio” Lorenzo! Nem nos treinos a superioridade de Lorenzo ficou demonstrada, uma vez que teve de repartir com Pedrosa, Marquez e Rossi os melhores tempos de cada sessão. Contudo quando se chegou à qualificação Pedrosa arrancou um tempo canhão, batendo inclusivamente o recorde da pista de Casey Stoner. Isso trazia um problema a Lorenzo, sabendo-se da capacidade de Pedrosa para as largadas.

Assim sendo o início da corrida seria crucial para, eventualmente a vencer. Com este pensamento a ocupar-lhe o pensamento Lorenzo faz um arranque fabuloso e com uma agressividade estonteante consegue curvar à frente de Pedrosa liderando a corrida da 1ª à última volta. Foi novamente uma corrida à Lorenzo sem nunca dar um milímetro de espaço, sem cometer erros, fazendo tempos por volta separados por centésimas de segundo. Volta após volta Pedrosa tentava colocar-se a jeito para ultrapassar o compatriota, mas não havia espaço. Para atrapalhar, Marquez estava a respirar em cima de Pedrosa que a partir de metade da corrida começou a preocupar-se mais com quem vinha atrás do que propriamente com quem deveria ultrapassar. E desta maneira Lorenzo ia ganhando uma décima aqui e outra ali chegando à última volta com quase 2 segundos vantagem. Por sua vez Pedrosa penou para manter Marquez atrás de si, uma vez que o rookie tinha toda a intenção de passar o companheiro. Mas dois erros, duas precipitações arruinaram as chances da ultrapassagem. Mas mesmo sem grandes condições, Marquez continuou a pressionar até cortar a meta. Diziam os comentadores (absolutamente apropriado) que Marquez parecia um cão de fila…simplesmente não largava!

Duas notas negativas: A primeira para a quantidade de acidentes (especialmente na curva 10) ocorridos, com 1/3 dos pilotos que largaram a ficar-se pela gravilha. Entre estes Cal Crutchlow e Nicky Hayden visivelmente desapontados com o erro cometido! A segunda para a falta de atenção de Bautista que pela segunda corrida consecutiva ia levando Rossi com ele numa entrada “sem pés nem cabeça”! Felizmente “Il Doctore” alargou a trajectória conseguindo escapar por centímetros à moto de Bautista.

1º Dani Pedrosa (123 pts), 2º Jorge Lorenzo (116 pts), 3º Marc Marquez (93 pts) / CRT: Aleix Espargaro (36 pts)

Motogp , Gp Italia 2013 – Crónica by Aires Pereira

 Vitória Jorge Lorenzo
Vitória Jorge Lorenzo

Pronto, não há muito mais a ocultar. Rossi não está de facto ao nível que nos habituou e muito menos com capacidade para inspirar receio seja a que piloto for. Entre azar, problemas técnicos e erros, Rossi só viu um pódio em 5 corridas. Boa corrida de Lorenzo que fez o que melhor sabe…ser consistente.

Foi um fim-de-semana negro para Marquez. O “rookie” conseguiu cair em todas as sessões de treinos e na corrida. Caiu de todas as maneiras, devagar, depressa, por azar, aleijou-se…enfim Marc Marquez já estava habituado a isto em Moto2 e 125cc, mas foi novidade em MotoGP! Foi inclusivamente arredado para o Q1 (qualificação dos mais lentos) conseguindo abrir caminho para estar na Q2 e obter o sexto tempo na grelha. Marquez não conhece a palavra desistir e mostrou isso mesmo em Mugello. Neste entretanto Dani Pedrosa obtinha a primeira pole position de 2013 com Lorenzo e Dovizioso a fecharem a primeira fila. Rossi que tinha chegado a obter o 2º tempo acabou no 7º lugar da grelha. Muito pouco para o seu GP “caseiro”!

A corrida em si não teve muitos polos de interesse. Rossi acabaria na gravilha logo na 1ª volta com um encosto de Bautista. Os tifosi ficavam de rastos, porque a maior parte não estava ali para ver MotoGP, mas para ver Rossi regressar…tenho a impressão que terão que esperar sentados! Jorge Lorenzo tomaria a liderança na primeira curva, de uma maneira muito agressiva e pouco habitual, ultrapassando Pedrosa que fazia jus à sua capacidade de fazer partidas excepcionais. Marquez, da 6ª posição colava-se ao companheiro Pedrosa e este trio iria lutar durante algumas voltas. E de facto foi durante algumas voltas porque Lorenzo, de uma maneira muito discreta e volta após volta vai ganhando meio segundo aqui, meio ali e quando damos por ele já tem a vantagem emocional necessária para gerir uma prova. E quando Lorenzo gere uma prova é um cronómetro humano, sem erros, sem escorregadelas, sem perder tempo, ruo à vitória! Não há paralelo em MotoGP! Pedrosa estava com problemas e Marquez aproveita para passar o companheiro Pedrosa arrebatando o 2º lugar, mas Marquez levou longe demais o seu esforço e acabaria na gravilha muitíssimo revoltado consigo próprio. Percebeu-se perfeitamente que o piloto sabia que estava a exceder-se! Com isto Pedrosa volta à 2ª posição com Crutchlow a aproximar-se muito perigosamente. Aliás Pedrosa também tem o hábito de fazer uma gestão da corrida, mas normalmente faz ao contrário e acaba a corrida a sofrer, como foi o caso de Mugello! Lorenzo aproximou-se da frente e ultrapassou Marquez, ganhando folego para atacar o primeiro lugar de Pedrosa que dista 12 preciosos pontos.

1º Dani Pedrosa (103 pts), 2º Jorge Lorenzo (91 pts), 3º Marc Marquez (77 pts) / CRT: Aleix Espargaro (28 pts)

Moto3 – Gp Italia 2013- Crónica by Aires Pereira

Chegada com Salom, Rins, Viñales e Miguel
Chegada com Salom, Rins, Viñales e Miguel

Mas que corrida! Os suspeitos do costume com uma surpresa pelo meio…Miguel Oliveira e Alex Marquez intrometem-se no meio dos “grandes” e Miguel leva mesmo a melhor a dois deles com um impressionante 4º lugar, numa corrida em que o Português chegou mesmo a liderar. Cada vez mais Miguel se afirma como um valor e deixa para trás a promessa!

As sessões de treinos foram, como já vem a ser habitual dominadas por Rins, Salom, Folger e Viñales com Miguel a espreitar logo atrás. Na qualificação foi mesmo o português que chegou a liderar durante quase toda a sessão. Mas a 5 minutos do fim as KTM aproveitaram o cone de ar uns dos outros e falaram mais alto. A surpresa foi a intromissão de Jack Miller, com uma Honda a obter o 4º tempo. Diga-se em abono do piloto australiano que esteve sempre muito bem, não só nos treinos como na corrida. A pole position acabou por ser obtida por Jonas Folger que aproveitou o cone de ar de Viñales para catapultar o seu tempo. Viñales e Rins fechariam a primeira linha enquanto Miguel era relegado para o sexto lugar.

O início da corrida não traria qualquer novidade com Folger a fazer um excelente arranque e a dominar as duas primeiras voltas, altura em que Viñales resolveu passar par a frente. O grupo da frente com apenas 4 motos (Folger, Viñales, Rins e Salom) iria ser apanhado por culpa de Miguel Oliveira que inconformado e com um ritmo endiabrado levava Marquez com ele, aumentado o grupo para 6 motos. E foram estes seis protagonistas que nos deram um espectáculo fora de série e onde Miguel fazia a volta mais rápida da corrida. Não contente, o piloto luso aproveita muito bem o cone de ar na recta da meta e passa todos os adversários por fora, com uma impressionante travagem à entrada da 1ª curva. Miguel tentou tudo por tudo para conseguir partir o grupo mas na recta da meta foi apanhado. A partir daí foi o jogo do gato e do rato com jogadas estudadas na longa recta da meta, com Salom a levar a melhor neste jogo, Rins e Viñales a seguirem-lhe as pisadas e Miguel a lutar muito para conseguir manter o 4º posto frente à KTM de Marquez que por pouco não lhe roubava a posição à chegada. Com isto o português voltou a subir na classificação geral, ascendendo ao 7º posto, mas com reais possibilidades de subir à 5ª posição, lugar que acreditamos ser efectivamente o seu, se não melhor!

Em resumo foi, até à data a melhor corrida de Moto3 em 2013 e onde Miguel foi efectivamente superior, mas onde o motor das KTM fez a diferença.

1º Maverick Viñales (106 pts), 2º Luis Salom (102 pts), 3º Alex Rins (81 pts)…7º Miguel Oliveira (33 pts).

Moto2 em Le Mans 2013: Crónica by Aires Pereira

Queda de Rabat e Espargaro
Queda de Rabat e Espargaro

Mais uma prova de roer as unhas. Nunca se sabe o que vai acontecer em Moto2. Quase todas as previsões saem furadas nesta categoria e mesmo aquilo que parecia certo se torna incerto em face da proximidade pontual que os líderes têm. Fantástico e parabéns para Scott Redding com a primeira vitória em Moto2.

A regularidade de Redding ao longo do fim-de-semana poderia ter dado pistas para o que iria acontecer na corrida, mas estamos a falar de Moto2, onde sai tudo ao contrário! De facto o piloto britânico foi consistente nos seus tempos conseguindo sempre o 1ª ou 2º tempo, mas foi Nakagami que obteve a pole position. O piloto japonês parece ter potencial mas é algo irregular. Redding ocuparia o 2º lugar na grelha com Zarco (piloto da casa) a conseguir a 3ª posição.

No domingo a corrida seria feita com a pista já quase seca. Havia algumas partes ainda húmidas mas as trajectórias (algumas) já podiam ser feitas de maneira confortável. Espargaro, um dos pilotos mais vezes indicado como sucessor de Marquez em Moto2 iniciou o ataque juntamente com Rabat (líder do campeonato) e Nakagami (pole position). Atrás deste trio que rodava muito depressa seguiam Zarco, Redding, Simeon, Aegerter e Kalio que iam lutando com superioridade para Zarco. Foi então que tudo mudou. Ambos Rabat e Espargaro (da mesma equipa!) caiem na mesma curva e da mesma maneira (até parecia encenado) deixando Nakagami com 3 segundos de vantagem para o grupo perseguidor. Mas Nakagami, possivelmente com inveja dos companheiros cai exactamente no mesmo sítio e exactamente da mesma maneira 2 voltas depois, deixando agora Zarco na frente da corrida. Foi o êxtase do público francês. Mais um pretendente ao título, Terol cai na mesma curva (aquela curva deu cabo de muita gente) deixando assim a frente do campeonato do mundo somente com Redding para pontuar. E o piloto britânico ainda tinha mais para dar, resolvendo ir para a frente da corrida e relegando Zarco para 2º lugar. Foi então a vez de Kalio (companheiro de equipa de Redding) atacar também e ultrapassar Zarco que mostrava dificuldades com os pneumáticos, ficando inclusivamente este fora dos lugares do pódio, para tristeza dos seus conterrâneos. A 2 voltas do fim Redding lutava para segurar a 1ª posição quando recomeça a chover. Ainda demorou para que a organização desse a corrida por concluída, mas esta acabou mesmo com uma bandeira vermelha quando já havia escorregadelas de todos os pilotos. Redding arrecadava a vitória, Kalio conseguia a 2ª posição e Simeon estreava-se no pódio com o 3º lugar.

1º Scott Redding (76 pts), 2º Esteve Rabat (52 pts), 3º Mika Kallio (47 pts)

Moto3 em Le Mans – Crónica by Aires Pereira

Ultrapassagem de Viñales a Folger
Ultrapassagem de Viñales a Folger

Confirma-se o ascendente do candidato do ano passado ao ceptro de Moto3, Viñales. O espanhol que no ano passado  fraquejou a meio do campeonato está outra vez em grande forma sagrando-se como o primeiro duplo vencedor nesta categoria em 2013.

Os treinos livres e qualificação voltaram a trazer ao de cima os comandantes do mundial. Viñales, Rins, Folger e Salom encabeçaram os melhores tempos apenas incomodados por uma “tal” de Miguel Oliveira que no Sábado e Domingo foi uma dor de cabeça para a “armada” KTM. De facto o piloto luso esteve em alta este fim-de-semana com o segundo tempo na qualificação e no warm-up, para além do 4º tempo no FP3 Consistente e extremamente rápido Miguel Oliveira ficaria a 0,110 de Viñales, autor da pole position com Folger logo atrás. Ficou assim decida a grelha de partida.

Com o tempo muito incerto e a pista ainda bastante húmida, a corrida disputou-se com pneus slick, onde somente Folger e Miguel escolheram o composto “soft”, tendo todos os outros concorrentes optado pelo “hard”. O início desta mostrou um Folger muito forte, que não obstante o excelente arranque de Viñales faria a 1ª curva à frente do pelotão. Miguel não teve um forte arranque mas defendeu-se bem agarrando-se à 5ª posição logo atrás de Salom. Fortemente pressionado por Alex Marquez, à 5ª volta Miguel tem que se chegar para a zona húmida da pista e acaba por não conseguir fazer a curva acabando a prova na gravilha quando já estava na 4ª posição. Contudo esta prova foi farta em quedas por via das condições do asfalto. Quando se saía da trajectória era rezar… O grupo da frente ficaria então reduzido a 5 pilotos com Folger, Viñales, Rins, Salom e Marquez. Foi então a vez de Viñales decidir ir para a frente. Este é um circuito de boa memória para o espanhol e a partir daí a corrida ficou decidida. Até porque Folger cometeu um erro (que não é muito natural no piloto germânico) e foi relegado para a cauda do quarteto (Marquez foi ficando para trás). Viñales acabaria por ter uma boa e relativamente sossegada vitória e Rins conseguia impor-se a Salom que fecharia o pódio.

Em jeito de conclusão Viñales está muito confiante e muito eficaz, consolidando o primeiro lugar e Miguel Oliveira tem agora mais pressão nos ombros, não só em face das quedas em Jeres e Le Mans (que o fizeram descer do 5º para o 10º posto no mundial), mas porque já mostrou ter valor para se bater com os mais fortes, confirmando o vaticínio da pré-época e também porque a Mahindra parece ter resolvido os problemas as anteriores três provas.

1º Maverick Viñales (90 pts), 2º Luis Salom (77 pts), 3º Alex Rins (61 pts)…10º Miguel Oliveira (20 pts).

MotoGp Le Mans 2013 – Crónica by Aires Pereira

Ultrapassagem de Pedrosa a Dovizioso
Ultrapassagem de Pedrosa a Dovizioso

Uma corrida debaixo de água, dramática com as Yamaha a perderem bastante terreno para as Honda (e para as Ducati!!!!) e com Pedrosa a bisar nesta época como vencedor da prova. Eis um cenário que não se vê muitas vezes em MotoGP.

Durante os treinos livres as Honda e as Yamaha lutaram arduamente pelas primeiras posições com Rossi a superiorizar-se mesmo a Lorenzo com o melhor tempo das Yamaha. A diferença para Pedrosa não era significativa e Marquez andava “às aranhas” com o primeiro contacto com pista húmida em MotoGP. Tudo indicava que “Il Doctore” teria a sua desforra neste fim-de-semana…mas não! A Pole Position acabaria por ser arrebatada por Marquez, não obstante os maus tempos das sessões anteriores e Rossi não passaria do 8º tempo. As coisas começavam a complicar-se para Rossi.

E no dia da corrida ainda ficaram pior. Com a partida feita debaixo de uma copiosa chuva, a pista apresentava-se bastante escorregadia e perigosa, facto que foi surpreendentemente aproveitado por Dovizioso, aos comandos da Ducati para liderar a corrida nas primeiras voltas. Lorenzo apesar da boa largada acabaria ultrapassado logo nas primeiras voltas por Pedrosa e Rossi, conseguindo assim o italiano ascender à terceira posição. E Pedrosa não ficaria por aqui e atacava Dovizioso com determinação conseguindo agarrar a liderança depois de uma verdadeira luta titânica pela posição por parte de ambos. Havia então um pelotão compacto de 8 motos na frente com Lorenzo a lutar com grandes dificuldades por causa dos pneus, caindo na classificação a cada volta que passava. Marquez rodava em 8º quando começaram as quedas. Primeiro Bradl e depois Rossi. Ambos voltariam à corrida na 11ª e 12ª posições. Crutchlow atacava com sucesso Dovozioso agarrando assim o 2º posto quando aparecido do nada…vinha Marquez! O líder do campeonato com as quedas de Bradl e Rossi e com a ultrapassagem a Hayden aparecia a menos de 3 segundos de Dovizioso. E “foi um ar que se lhe deu”, como é usual dizer-se até que Marquez mostrasse à Ducati como se faz! E se a corrida tivesse mais 10 voltas Marquez poderia mesmo ter ganho, uma vez que rodava 1 segundo mais rápido que toda a gente. Só que não teve tempo e o 3º posto foi bem suado e merecido para quem saiu da primeira curva em 8º e andou “aos papéis” no primeiro quarto de prova. Marquez só precisou de ¼ de prova para aprender a andar à chuva em MotoGP. Fenomenal!

A vitória de Pedrosa foi merecida, quanto mais não fosse pela corajosa e arrojada ultrapassagem a Dovizioso, Crutchlow ficaria com um fantástico 2º lugar e também muito merecido, e Marquez, o “menino-prodígio” acabaria no 3º posto com uma prova de deixar todos de “cara à banda”! Que prova…

1º Dani Pedrosa (83 pts), 2º Marc Marquez (77 pts), 3º Jorge Lorenzo (66 pts) / CRT: Aleix Espargaro (20 pts)

MotoGp – Gp Espanha em Jerez de la Frontera- crónica by Aires Pereira

Ultrapassagem de Marquez a Lorenzo
Ultrapassagem de Marquez a Lorenzo

Doohan vs Criville, Rossi vs Gibernau e agora Marquez vs Lorenzo, vai ser assim que esta prova vai ser recordada com a arrojada e polémica ultrapassagem que o “puto” fez ao campeão do mundo na sua própria curva!!!! Em três provas Marquez já se bateu com todos os melhores, Pedrosa, Lorenzo e Rossi. Mantém a liderança do campeonato do mundo e Lorenzo percebeu hoje que se não se põe a “pau” vai ver o campeonato “por um canudo”.

Depois de três provas temos mais material para conjecturar. Em primeiro lugar Pedrosa está forte, muito forte. Lorenzo é um mestre que percebeu hoje que vai ter que fazer muito mais se quer ganhar novamente o campeonato, Marquez, o “puto” que reescreveu os livros da história de MotoGP vai fazer tudo (mesmo tudo!) para ganhar e Rossi vai sentar-se na poltrona do 4º lugar a ver em primeira fila os três primeiros a digladiar-se pelo pódio à espera que alguma coisa corra mal para apanhar “um lugar ao sol”!

Os treinos demonstraram um Pedrosa e um Lorenzo muito fortes na conquista do melhor tempo em pista. Lorenzo lograria mesmo obter a pole position. Marquez andou sempre arredado das duas primeiras posições, mas andou a “estudar” e Rossi não mostrou em Jerez aquele piloto que nos tínhamos habituado. O vencedor de Jerez por 7 vezes, e uma pista de que gosta tanto poderia ter-lhe dado outro animo, mas não foi o caso. Até Crutchlow conseguiu obter um tempo melhor.

Restava a prova para ver como é que estes “galos” se portariam. E não foi muito diferente. Lorenzo até largou na frente, mas Pedrosa rapidamente o alcançou e ultrapassou. Mais para trás Rossi que largou muito bem antecipou-se a Crutchlow e chegou mesmo a ultrapassar Marquez que rapidamente lhe devolveu  “cortesia” sem apelo nem agravo. Lorenzo tinha agora Marquez colado aos seus escapes e este passou metade da corrida a estudar o piloto maiorquino para na última curva da última volta entrar com tudo na recém-baptizada curva Jorge Lorenzo, dando um “chega para lá” no compatriota e obtendo o segundo posto na prova com a manutenção do comando do campeonato. Lá para trás Rossi escapava-se a Crutchlow que ainda se teve que ver com Bautista, para acabar num solitário 4º lugar. Se o retorno à europa previa alterações nas performances, estas não se concretizaram. No fim (e ainda se vai escrever muito sobre isto) Lorenzo escusou-se duas vezes a apertar a mão a Marquez, uma delas em pleno pódio.

É muito cedo para ir mais além nas previsões, mas não creio que o ceptro seja disputado por 4, mas sim por 3 pilotos, uma vez que Rossi não mostra estar à altura dos companheiros. Contudo Rossi já nos habituou a grandes reviravoltas e ainda faltam 17 grandes prémios. Certo, certo é que Marquez é uma grande dor de cabeça para Pedrosa e Lorenzo e se não tomarem cuidado vai ser muito mais do que isso. Lembro-me do primeiro ano em que Rossi chegou a MotoGP. Reinava Kenny Roberts JR, e houve logo alguém que disse…”é melhor que ele ganhe este ano, porque nos próximos mais ninguém ganha além de Rossi”. Pois a minha opinião vai nesse sentido quanto a Marquez!

1º Marc Marquez (61 pts), 2º Dani Pedrosa (58 pts), 3º Jorge Lorenzo (57 pts) / CRT: Aleix Espargaro (17 pts)

Moto2 – Gp Espanha em Jerez de la Frontera – crónica by Aires Pereira

Esteve Rabat
Esteve Rabat

Uma corrida atípica de Moto2. Faltou emoção e luta, coisa inédita nesta categoria. Que me lembre é a primeira vez. Não obstante podemos agora apontar alguns nomes como favoritos. Espargaro, Redding, Rabat, Nakagami e Terol. Por agora estes pilotos aparecem muito bem posicionados para luta pelo título. Para Rabat foi a primeira pole position e primeira vitória. Parabéns

Rabat foi consistente na obtenção de boas marcas nos treinos e qualificação conseguindo a pole seguido de Redding e Nakagami a fechar a linha da frente. Espargaro lutou sempre com problemas durante todo o fim-de-semana e reflectiu-se na qualificação com o 4º tempo. Terol, vencedor há 15 dias ficou-se pelo 7º tempo!

O início da corrida iria mostrar porque Rabat tinha obtido a pole position com o piloto espanhol a consolidar, volta a volta a sua vantagem. Redding ainda tentou manter a pressão mas não foi possível. Na terceira posição seguia Nakagami conseguindo um bom avanço sobre Espargaro que tardou a encontrar acertar com a pista. Nem para trás havia lutas dignas desse nome. 3 ou 4 pilotos em luta por uma posição mas mais nada.

A partir de metade da prova consegue-se perceber que Espargaro estava a encurtar a distância para Nakagami chegando mesmo a alcançar o japonês a 8 voltas do final. Contudo uma ultrapassagem a um piloto atrasado inexperiente atrasou Espargaro que voltou a perder cerca de 1 segundo para Nakagami. Mas estava escrito que a ultrapassagem seria feita e o espanhol voltou a aproximar-se e aproveitou a curva 6 para ultrapassar. Mas Nakagami não estava pelos ajustes e voltou a ultrapassar Espargaro que na curva seguinte repetia a operação com igual resposta do japonês. Luta frenética que iria culminar com a óbvia ultrapassagem de Espargaro mas desta feita devido a problemas de pneus de Nakagami que já não conseguiu recuperar. Vitória para Rabat, seguido de Redding e com Espargaro a subir ao último lugar do pódio.

Uma corrida atípica de Moto2 que mostrou mesmo assim as caras dos favoritos em face destes primeiros resultados. Nota-se a falta de alguns pilotos, como Luthi que no ano passado iniciou a época a lutar com Marquez!

1º Esteve Rabat (52 pts), 2º Scott Redding (51 pts), 3º Pol Espargaro (41 pts)